sábado, 20 de setembro de 2014

Trabalho em grupo

Grupo Joice Fernanda, Amanda Karla, Maria José, Natália Cintra e Jéssica Marinho

Estudar o texto e fazer uma análise textual. Descrever a intenção do autor, para quem ele direciona o texto, quais os elementos utilizados, a intertextualidade, etc.

Árvore Genealógica - Luis Fernando Verissimo


- Mãe, vou casar! 
- Jura, meu filho?! Estou tão feliz! Quem é a moça? 
- Não é moça. Vou casar com um moço. O nome dele é Murilo. 
- Você falou Murilo... Ou foi meu cérebro que sofreu um pequeno surto psicótico? 
- Eu falei Murilo. Por que, mãe? Tá acontecendo alguma coisa? 
- Nada, não... Só minha visão que está um pouco turva. E meu coração, que talvez dê uma parada. No mais, tá tudo ótimo. 
- Se você tiver algum problema em relação a isto, melhor falar logo... 
- Problema? Problema nenhum. Só pensei que algum dia ia ter uma nora... Ou isso. 
- Você vai ter uma nora. Só que uma nora... Meio macho. Ou um genro meio fêmea. Resumindo: uma nora quase macho, tendendo a um genro quase fêmea..... 
- E quando eu vou conhecer o meu. A minha... O Murilo? 
- Pode chamar ele de Biscoito. É o apelido. 
- Tá! Biscoito... Já gostei dele... Alguém com esse apelido só pode ser uma pessoa bacana. Quando o Biscoito vem aqui? 
- Por quê? 
- Por nada.. Só pra eu poder desacordar seu pai com antecedência. 
- Você acha que o Papai não vai aceitar? 
- Claro que vai aceitar! Lógico que vai. Só não sei se ele vai sobreviver... Mas isso também é uma bobagem. Ele morre sabendo que você achou sua cara-metade. E olha que espetáculo: as duas metade com bigode. 
- Mãe, que besteira... Hoje em dia... Praticamente todos os meus amigos são gays. 
- Só espero que tenha sobrado algum que não seja... Pra poder apresentar pra tua irmã. 
- A Bel já tá namorando. 
- A Bel? Namorando?! Ela não me falou nada... Quem é? 
- Uma tal de Veruska. 
- Como? 
- Veruska... 
- Ah!, bom! Que susto! Pensei que você tivesse falado Veruska. 
- Mãe!!!.... 
- Tá..., tá..., tudo bem... Se vocês são felizes. Só fico triste porque não vou ter um neto... 
- Por que não? Eu e o Biscoito queremos dois filhos. Eu vou doar os espermatozóides.. E a ex-namorada do Biscoito vai doar os óvulos. 
- Ex-namorada? O Biscoito tem ex-namorada? 
- Quando ele era hétero... A Veruska. 
- Que Veruska? 
- Namorada da Bel... 
- "Peraí". A ex-namorada do teu atual namorado... E a atual namorada da tua irmã. Que é minha filha também... Que se chama Bel. É isso? Porque eu me perdi um pouco... 
- É isso. Pois é... A Veruska doou os óvulos. E nós vamos alugar um útero. 
- De quem? 
- Da Bel. 
- Mas. Logo da Bel?! Quer dizer então... Que a Bel vai gerar um filho teu e do Biscoito. Com o teu espermatozóide e com o óvulo da namorada dela, que é a Veruska. 
- Isso. 
- Essa criança, de uma certa forma, vai ser tua filha, filha do Biscoito, filha da Veruska e filha da Bel. 
- Em termos... 
- A criança vai ter duas mães: você e o Biscoito. E dois pais: a Veruska e a Bel. 
- Por aí... 
- Por outro lado, a Bel..., além de mãe, é tia... Ou tio... Porque é tua irmã. 
- Exato. E ano que vem vamos ter um segundo filho. Aí o Biscoito é que entra com o espermatozóide. Que dessa vez vai ser gerado no ventre da Veruska... Com o óvulo  da Bel. A gente só vai trocar. 
- Só trocar, né? Agora o óvulo vai ser da Bel. E o ventre da Veruska.. 
- Exato! 
- Agora eu entendi! Agora eu realmente entendi... 
- Entendeu o quê? 
- Entendi que é uma espécie de swing dos tempos modernos! 
- Que swing, mãe?!!.... 
- É swing, sim! Uma troca de casais... Com os óvulos e os espermatozóides, uma hora no útero de uma, outra hora no útero de outra... 
- Mas... 
- Mas uns tomates! Isso é um bacanal de última geração! E pior... Com incesto no meio... 
- A Bel e a Veruska só vão ajudar na concepção do nosso filho, só isso...[Image] 
- Sei!!!... E quando elas quiserem ter filhos... 
- Nós ajudamos. 
- Quer saber? No final das contas não entendi mais nada. Não entendi quem vai ser mãe de quem, quem vai ser pai de quem, de quem vai ser o útero, o espermatozóide... A única coisa que eu entendi é que..... 
- Que...? 
- Fazer árvore genealógica daqui pra frente... vai ser foda.

2 comentários:

  1. A crônica é um gênero textual que apresenta fatos do cotidiano. É uma leitura agradável e o autor interage com os acontecimentos . Este gênero está presente em jornais, revistas e livros.O texto é curto e de linguagem simples, o que o torna ainda mais próximo de todo tipo de leitor e de praticamente todas as faixas etárias. A sátira, a ironia, o uso da linguagem coloquial demonstrada na fala das personagens, a exposição dos sentimentos e a reflexão sobre o que se passa estão presentes nas crônicas. A árvore genealógica de Luis Fernando Verissimo se enquadra neste tipo textual, ela possui humor e ao mesmo tempo retrata o cotidiano de muitas famílias. A intenção do autor é de confundir os leitores sobre a problematização central da crônica (homossexualidade). O texto se direciona para o público jovem e adulto por se tratar de um assunto bastante relevante. Os elementos usados por Verissimo foram: a narração curta, personagens comuns, linguagem simples, uso da oralidade na escrita e do coloquialismo na fala das personagens. E há a presença de intertextualidade na crônica em forma de diálogo.
    Por: Amanda Karla
    Jéssica Marinho
    Joyce Fernanda
    Maria José
    Natália Cintra

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  2. O texto aborda uma leitura um pouco complicada de entender, uma intertextualidade onde apresenta dois tipos de texto que faz referência a outro texto no contexto que foi relatado, mostra de inicio uma crônica que aos poucos vai formando uma árvore genecológica de homossexuais, a dificuldade de entendimento para a personagem do texto é normal até nós leitores de imediato não conseguimos intender com seria essa relação e a formação dessa árvore.Mas o texto em si é bem interessante pois se trata da realidade de muitas pessoas e que nos deparamos com situações parecidas em nossas vidas.

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